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Amar-me mais!


Cresci a aprender que amar é difícil. Tive, desde muito cedo, que aprender a amar o impossível, a amar com dor, com angústia. Hoje olho para os meus filhos e é inconcebível imaginar que possam sentir algum tipo de sofrimento parecido com o que eu senti... e penso... quem é que alguma vez olhou assim por mim? Nunca ninguém o fez. Mas porquê? E fui crescendo, com dor, mas sempre com amor, um amor escuro, mas amor. Como é que uma criança pode amar alguém que não a ama? Porque um vínculo mau é melhor que nenhum vínculo! E hoje decidi que me vou vincular a mim própria, que vou cuidar de mim como devia ter sido cuidada, que me vou nutrir. Resolvi virar o amor para dentro, resolvi Amar-me mais! E para isso, vou ter de deixar para trás amores, amores que de cada vez que podiam, tiravam um pouco mais de mim. E vou fazê-lo antes que não reste nada de mim para amar.

Há dias em que o meu coração parece rasgado, nem é partido, é como se me tivessem arrancado uma parte dele à força, sem qualquer tipo de misericórdia. Há outros em que me sinto extasiada, como se só fosse possível ser feliz sem essa parte do meu coração. E não a quero de volta, tenho medo que essa parte encha de escuridão tudo o que há de bom em mim. Prefiro viver assim. No dia em que decidi amar-me mais, sabia que não ia ser fácil, sabia que iria ter dias de grande tristeza. Mas na verdade, o que é isso ao lado do grande amor. Hoje pelo menos posso dizer que tenho alguém que me ama mais, alguém que me nutre, alguém que olha para mim, e que pensa que não quer sequer conceber que eu viva em tamanha dor. Por isso não me arrependo, eu precisava desse olhar, desse amor. E vai ser sempre assim...

...prometo que irei sempre Amar-me Mais.

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